
RECADINHO RESPEITOSO À SRA. LOLA ARONOVICH: A sra. diz que "reaças" não têm coragem de se assumir como reaças. E que piadas podem "ofender", então está torcendo para que o Danilo Gentili se ferre no seu (novo) processo. Isso que se segue é uma piada soviética:
"Um soviético volta da América e diz que a América é um país livre, pois lá as pessoas podem subir num caixote na frente da Casa Branca e gritar 'Down with Ronald Reagan!' e não serem presas. Um oficial do regime diz para ele que a gloriosa União Soviética também é um país livre. Afinal, você também poderia pegar um caixote, ir à frente do Kremlin e gritar: 'Down with Ronald Reagan!' que nada aconteceria com você."
Percebeu um dado curioso nessa piada, sra. Lola? O humor soviético é o dissidente. Ou, pelo menos, é difícil acreditar no humor oficial (os poloneses também costumavam dizer que a diferença entre a democracia e o socialismo democrático é mais ou menos a diferença entre uma cadeira e uma cadeira elétrica).
E sabe o que é ainda mais curioso? Gente assumidamente de "extrema-esquerda" como a sra., que quer que o Estado interfira em TUDO (até mesmo no que devemos dizer ou não, seguindo uma moral platiforme oficial do Estado), muito estranhamente, não tem CORAGEM de assumir o que é: COMUNISTA.
Ou vai me dizer que a sra. ficou do lado de Ronald Reagan durante a Guerra Fria? Vai me dizer que acha que a América é melhor do que a União Soviética? Vai dizer que a ditadura militar, que matou cerca de 500 pessoas em 21 anos (a maioria delas terroristas em armas), ao menos nos SALVOU de viver sob uma ditadura totalitária de modelo castrista (os irmãos que são donos até das pessoas que vivem em Cuba), que matou mais de 80 mil desde que subiu ao poder, e cujos ditadores de lá nunca arredaram pé?
Ou a sra. se diz apenas "de esquerda", e nunca COMUNISTA ou SOCIALISTA, por algum motivo além de vergonha? Por que então não critica nem sequer os modelos mais horrendos da esquerda no poder, compara-os aos raros governantes claramente de direita no último século (Reagan, Thatcher, Adenauer, Havel, Uribe) e mostra o resultado a se@s leitor@s? (sorry, não sei como é a versão com @ para "seus")
A sra. diz que nós, reaças, temos medo de nos assumir como reaças – na verdade, a sra. estava discutindo com alguns libertários e outras criaturas de identidade ideológica gelatinosa ou inexistente, e tirou de sua própria cabeça que "libertário" é um epiteto de reaças que não se assumem, como a sra. não se assume o que é. Mas reaças de verdade (que nada têm a ver com libertários, ou a sra. já estudou os argumentos e as diferenças entre Voegelin e Rothbard, entre Sowell e Boaz, entre Horowitz e Rockwell?) nunca deixaram de se assumir o que são. Fernando Pessoa, G. K. Chesterton, Nelson Rodrigues, Jorge Luis Borges, o Vladimir Nabokov que a sra. tanto gosta, Guimarães Rosa, Ortega y Gasset, David Horowitz, Mário Ferreira dos Santos, Bernard Lonergan, Gilberto Freyre, Russell Kirk, Roger Scruton, Kuehnelt-Leddihn – todos eles sem disfarce (e todos profundos estudiosos da esquerda, o contrário parece nunca acontecer), e com os melhores argumentos nunca refutados por quem apenas os encaixa na matilha da "direita", sem nunca pesquisar sua obra (a sra. não pesquisou os argumentos políticos de Nabokov, naturalmente).
A sra. acredite ou não, prefiro estar em companhia dessa turma aí em cima (que nada tem a ver com PSDB ou com o que a sra. inventa de estro próprio que seja "a direita", "os reaças nojentões") do que de cidadãos de moral heterodoxa como Chomsky dizendo ao NYT que Pol-Pot só havia matado uns dissidentes que atrapalharam seu caminho, Deleuze e Sartre pregando que a Europa se voltasse a Mao Tsé-tung e suas 70 milhões de vítimas (o que foi a Segunda Guerra perto disso?), Foucault saudando a revolução islâmica que fechou uma sociedade secular para transformá-la no país mais fechado do mundo, onde se matam mulheres "traidoras" (de maridos mortos) na base da pedrada (sob o silêncio de feministas como a sra., que não comentou o caso Sakineh em ano eleitoral, já que Lula estava todo amiguinho faceiro de Ahmadinejad), fora assassinos abertos como Althusser ou a feminista Valerie Solanas.
A sra. acha mesmo que são os reaças que não têm coragem de assumir o que são? Pois os reaças foram alvos tanto da Internacional quanto do hino nazista, a Canção de Horst-Wessel, que prometia fuzilá-los – porque o reacionário, aquele que sabe como as coisas REAGEM (portanto, ninguém nasce reacionário – todos eles tornaram-se um, com o estudo da experiência), é contra projetos de poder concentrado como o que a sra. defende. Quer maior elogio do que ser inimigo dos dois totalitarismos que mais mataram em toda a história mundial, ao invés de escolher um deles?
Pois eu sou reacionário com muito orgulho, como esses grandes pensadores, que nunca defenderam assassinos. A sra. tem coragem de se assumir comunista, ou pelo menos tem coragem de perceber que os "reaças" foram muito melhores do que a "extrema-esquerda" na qual a sra. se encontra no poder?
Eu estou do lado de Reagan e deixo que façam piadinhas sobre mim na minha frente (como todo "reaça" sempre gostou de humor, ao contrário de seus desafetos). E a sra.? Defende a mesma liberdade de expressão ou prefere aquele modelo do Kremlin?
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