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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O progressismo (o novo nome do comunismo) !


Por 
Flavio Morgenstern


O progressismo (o novo nome do comunismo) se volta contra abstrações que são consideradas o maior perigo da humanidade. Via de regra dão errado, então trocam o discurso. Já tentaram com o "imperialismo" e a "globalização" até o comecinho da década passada - jornais de partidos de extremíssima-esquerda que hoje organizam manifestações através do Facebook eram taxativos em afirmar que a internet não deveria ser livre entre países, que deveríamos proibir o acesso de americanos a sites brasileiros e vice-versa. Hoje jogam para debaixo do tapete, acessam o Google sem medo e fingem que não falaram nenhuma besteira.

Muitas outras tentativas de criação de inimigos foram feitas, como o "colonialismo" (meio fora de moda depois das ridículas tentativas de tentarem usarem-no para explicar os ataques de 11 de setembro) ou a família - mas hoje os hippies preferem sempre poder voltar pra casa da mamãe e do papai, ter comida quentinha e uma cama macia onde dormir.

Sobrou o tripé sobrevivente raça-gênero-sexualidade. Os motes da vez são "racismo", "feminismo" e "homofobia". Quando encaram algum fato da realidade, recortam-no de suas circunstâncias particulares e os encaixam à força em tais abstrações. A manipulação com estatísticas, típica da esquerda desde antes de ela se formalizar como ideologia clara, é ainda o método preferido (como afirmar que no Brasil morreram 400 e tantos gays em 2010, e portanto há uma "cultura homofóbica" assassina andando armada por aí, "esquecendo-se" de que o total de homicídios dolosos no mesmo ano foi da ordem de 50 MIL).

Assim, ataca-se um abstrato (o racismo, o machismo, a homofobia), e não o sujeito concreto. Em verdade, esse mesmo assassino, tão "criticado" quando o crime ocorre contra um progressista, é solto pela mesma ladainha abstrata quando o crime não o envolve - a culpa do crime é dirimida graças à "desigualdade social", à "ostentação", o "conflito de classes" etc.

O objetivo é claro e simples: dissolvendo-se o sujeito (cf. Michel Foucault) em uma abstração, pode-se eximir os amigos e culpar com ainda mais força os inimigos quando bem lhe convém (aí uma piadinha é tratada como "cúmplice" de assassinato, um xingamento vira obscurantismo politizado brutal e um tapinha revidoso torna-se algo mais brutal do que um assassinato com requintes de crueldade, por vir dos ânimos mais atrasados e preconceituosos da primeva humanidade ultrapassada pela marcha unívoca do progresso). 

As relações humanas passam a ser regidas não por leis para se entender idiossincrasias de casos particulares, mas tão somente pela opinião pública (essa coisa tão privada, dominada por menos de uma dúzia de pessoas por continente) e pelos ânimos dos donos e moldadores do discurso público, que apenas auferem a culpa ou inocência de um sujeito verificando se ele pertence ou não pertence a um grupo partidário organizado específico.

Se quer entender o que é "feminismo" (que nunca reclama de mulheres serem apedrejadas no Irã enquanto Dilma, amiguinha de Ahmadinejad, está em campanha eleitoral, ou não dá um pio para uma trupe entubar objetos religiosos em praça pública na frente de mulheres, velhinhas e menininhas), o que é movimento gay (que afirma que uma piadinha entre amigos héteros com a palavra "bicha" é... homofobia) ou o movimento negro (cotas, cotas, cotas, cotas, cotas, cotas), não procure saber o que são os direitos das mulheres, dos gays e dos negros, e sim o quanto os idealizadores desses coletivos querem tutelar pessoas pelo monopólio do aparelhamento do Estado, tornando-se os únicos guardiões de sua condição humana em troca dos votos no partido correto.

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