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segunda-feira, 12 de março de 2012

"Quer ver um comunista se desmoralizar? É só deixá-lo falar".

http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2012/03/uma-mentira-chamada-dilma-vana-rousseff.html


UMA MENTIRA CHAMADA DILMA ROUSSEFF


Dilma Vana Rousseff é uma mentira. Não sou eu quem o digo. É a própria Dilma Vana Rousseff. 

Querem uma prova? Leiam o discurso de posse dela na Presidência da República, em 1o de janeiro de 2011. Lá, ela diz o seguinte (destaquei alguns textos em negrito):

"Nossa política externa estará baseada nos valores clássicos da tradição diplomática brasileira: promoção da paz, respeito ao princípio de não-intervenção, defesa dos Direitos Humanos e fortalecimento do multilateralismo."

Quem acompanhou pelo noticiário a recente visita de Dilma à ilha de Cuba percebe claramente que o que vai escrito aí em cima não é sincero.  Dilma foi à ilha dos Castro para prestigiar a ditadura mais longeva do Ocidente.  Recusou-se a se encontrar com dissidentes e ainda fez uma declaração das mais idiotas, criticando os EUA e negando-se a dizer qualquer palavra de crítica à tirania castrista. Nisso, seguiu fielmente o mesmo roteiro traçado por seu antecessor e criador, que, numa das cenas mais abjetas da história da diplomacia brasileira, comparou em 2010 os presos políticos da ilha-presídio a criminosos comuns.  

No discurso de posse, ela disse ainda:

"Reafirmo meu compromisso inegociável com a garantia plena das liberdades individuais; da liberdade de culto e de religião; da liberdade de imprensa e de opinião."

As liberdades individuais, como a de culto e de religião, são justamente os alvos de projetos que contam com o apoio, velado ou não, do governo federal, como a PEC 122 (a chamada "lei da mordaça gay") e o PNDH-3, que o governo engavetou devido à repercussão negativa junto à opinião pública (mas que não desistiu de implantar). A referência no discurso à liberdade de culto e de religião deveu-se certamente à tentativa de aplacar setores evangélicos, principalmente depois da celeuma das declarações de Dilma a favor da legalização do aborto (que ela negou de rosário e crucifixo na mão durante a campanha eleitoral, enquanto seus assessores faziam contorcionismos verbais para tentar explicar que ela na verdade não quis dizer o que disse).  Agora que o voto evangélico não é mais tão necessário, o governo volta à carga, e a questão da legalização do aborto retorna com força, com a nomeação, inclusive, de uma aborteira treinada para o cargo de ministra das Mulheres.

Mas, atenção!, o trecho do discurso de Dilma que mais ofendeu a verdade foi o seguinte (prestem atenção aos trechos em destaque):

"Reafirmo que prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras. Quem, como eu e tantos outros da minha geração, lutamos contra o arbítrio e a censura, somos naturalmente amantes da mais plena democracia e da defesa intansigente dos direitos humanos, no nosso País e como bandeira sagrada de todos os povos."

Em claro desmentido à primeira frase, a já mencionada visita a Cuba escancarou que a preferência de Dilma está mesmo é com o silêncio das ditaduras companheiras. Quanto à afirmação seguinte, trata-se de um dos pilares fundamentais da lenda dilmista, reforçada pela hagiografia sobre ela publicada recentemente (e cujo título já diz tudo "A Vida Quer É Coragem" - sic). Pode ser resumido assim: "ela foi presa e torturada; logo, sabe o valor da liberdade". Muitos caíram nessa balela, e passaram a repeti-la como um mantra.

É uma falsidade total. Ninguém se torna "naturalmente amante da mais plena democracia e da defesa intransigente dos direitos humanos" porque passou pela experiência da prisão e da tortura. Jamais fui preso ou torturado, mas uma coisa sei com certeza: a tortura não faz de ninguém um democrata. Pelo contrário: a tendência é que a pessoa, pelo trauma da violência, fique ainda mais revoltado e amargurado, tornando ainda mais profundo seu ódio pelos inimigos. Consta que Aiman al-Zawahiry, o atual chefe da Al-Qaeda, foi preso e torturado no Egito antes de se juntar a Osama Bin Laden. Assim como ele, quantos terroristas islamitas da atualidade não se radicalizaram ainda mais por terem sido presos no passado por ditaduras árabes seculares? (Esse é um argumento, aliás, dos que condenam o tratamento dispensado aos terroristas islamitas em Guantánamo, por exemplo.)

A se levar a sério essa alegada relação causal entre ter sido torturada e amar a democracia, deveríamos agradecer aos torturadores, pois teria sido graças  ao pau de arara e aos choques elétricos que os guerrilheiros presos descobriram o valor da democracia. Os lulodilmistas inventaram a tortura pedagógica.

Mais adiante no discurso, a criatura de Lula da Silva faz uma afirmação que, pouco mais de um ano e sete ministros a menos depois, soa como irônica:

"Serei rígida na defesa do interesse público. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. A corrupção será combatida permanentemente, e os órgãos de controle e investigação terão todo o meu respaldo para aturem com firmeza e autonomia."
 
No final, Dilma Rousseff termina seu discurso repetindo uma mentira histórica:

"Chegamos ao final desse longo discurso. Dediquei toda a minha vida a causa do Brasil. Entreguei minha juventude ao sonho de um país justo e democrático. Suportei as adversidades mais extremas infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tampouco ressentimento ou rancor."

Dilma Rousseff não se arrepende de ter, segundo suas palavras, lutado por um país justo e democrático. De fato, seria ilógico alguém se arrepender de ter-se entregue ao sonho da justiça e da democracia. Quem seria contra isso? Ninguém, obviamente. Mais foi por isso mesmo que Dilma lutou e foi presa e, dizem, torturada? Nesse ponto, é importante saber a que tipo de sonho realmente ela entregou sua juventude. 

Vamos lembrar: Dilma Rousseff foi presa em 1970 e cumpriu três anos da sentença a que foi condenada por ter participado, como militante, de três organizações armadas de extrema-esquerda: a COLINA (Comandos de Libertação Nacional), a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares). Pelo menos nesta última, ela teve algum papel de destaque, tendo sido uma das dirigentes.  

O que queria a VAR-Palmares? Em seu Programa, elaborado em setembro de 1969 - provavelmente, com a participação de Dilma, que usava os codinomes de Estela,Vanda ou Luíza - está escrito o seguinte, na parte referente ao "caráter da revolução" (o texto consta da coletânea organizada por Daniel Aarão Reis Filho e Jair Ferreira de Sá, Imagens da Revolução: Documentos das Organizações Clandestinas de Esquerda dos Anos 1961-1971, Rio de Janeiro, Marco Zero, 1985):

"Só a Revolução Socialista poderá libertar os trabalhadores do campo da miséria e assegurar a expansão das forças produtivas na indústria, propiciando melhores condições de vida às massas trabalhadoras. Só a Revolução poderá assegurar a expansão da economia e a independência nacional, até que, com a destruição do imperialismo em escala internacional e com a construção do comunismo, possam desaparecer todas as demarcações e antagonismos entre os povos". (p. 265)

Corrijam-me se entendi errado, mas, até onde sei, "revolução socialista" é uma coisa, e amor à democracia e defesa intransigente dos direitos humanos, é outra, completamente diferente e antagônica. O mesmo vale para "construção do comunismo": quem tem um mínimo de conhecimento sobre o que foi a URSS ou o que é hoje Cuba ou a Coréia do Norte sabe perfeitamente  que tal regime político é incompatível com qualquer idéia de liberdade individual, sobretudo liberdade de culto e de expressão. Era esse o sonho de um país justo e democrático de que falou Dilma em seu discurso de posse?

Mais à frente, o mesmo documento explicita o tipo de regime político pelo qual se batia a organização a qual pertenceu Dilma Rousseff (mais uma vez, peço atenção aos termos destacados do texto):

"O objetivo da Revolução Brasileira é, assim, o da conquista do poder político pelo proletariado, com a destruição do poder burguês que explora e oprime as massas trabalhadoras. Este objetivo, resultado da vitória da guerra revolucionária de classes, será concretizado com a formação do Estado Socialista, dirigido peloGoverno Revolucionário dos Trabalhadores, expressão da Ditadura do Proletariado." (idem)  

Aí está. O grupo de Dilma pugnava não pela democracia representativa que temos hoje, mas pelo "Estado Socialista" (assim, com maiúsculas), um "Governo Revolucionário dos Trabalhadores", expressão da - mais claro, impossível - "Ditadura do Proletariado". Alguma dessas expressões lembra, mesmo que remotamente, defesa da democracia e dos direitos humanos?

O documento da VAR-Palmares tem, não dá para negar, pelo menos o mérito da clareza. Em vários trechos, fica óbvio que seus militantes tinham em vista muito mais do que eleições livres e democráticas. Na parte concernente à "guerra revolucionária", por exemplo, está escrito textualmente:

"[...] Sendo uma guerra contra o sistema capitalista, a Guerra Revolucionária no Brasil deve ser encarada sob o prisma do socialismosendo esta sua lei básica. [...]" (p. 269 - grifo no original)

Duas páginas adiante, há uma passagem que especifica a relação entre o objetivo e a forma de luta (a guerrilha). Ao analisar os motivos porque os guerrilheiros estariam isolados e dispersos, o texto afirma:

"Este isolamento e esta dispersão só serão rompidos pela atuação revolucionária da vanguarda, educando as massas na perspectiva da violência e do socialismo". (p. 271)

E, para que não paire qualquer sombra de dúvida sobre o que era e o que queria a organização na qual militou a jovem Dilma, há um trecho que diz:

"A Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares, como organização partidária político-militar, constitui-se na vanguarda socialista que, orientada pela ciência e pelo método do marxismo-leninismo, enriquecidos teórica e praticamente pelo movimento revolucionário de todo o mundo, propõe-se a lutar pela revolução proletária e pela implantação do Socialismo no Brasil." (p. 275)  

Creio que o parágrafo acima é suficientemente claro. Ou ainda resta alguma dúvida?

Comparem agora os trechos acima do documento-programa da VAR-Palmares com os trechos selecionados do discurso de posse de Dilma Rousseff na Presidência.  Especialmente aqueles em que ela diz que, por ter lutado contra o arbítrio, é uma amante da democracia e defensora intransigente dos direitos humanos. E que não tem qualquer arrependimento. Pois é...

Uma nota pessoal. Participei, e não escondo isso de ninguém, de um grupo sectário de ultra-esquerda na universidade. Eu era um paspalho, mas não posso dizer que fui iludido. Sempre soube que o objetivo final daqueles aspirantes a Lênin e a Trotsky da província era destruir a sociedade capitalista e impor a ditadura do proletariado. Era, aliás, exatamente isso o que me atraía naquele grupelho radical: a retórica totalitária, o desprezo total à democracia (que chamávamos sempre de "burguesa"). Assim como Dilma Rousseff, acreditei um dia que o futuro da humanidade era o comunismo, e dediquei a essa causa um pedaço de minha juventude. Mas, ao contrário dela, não vejo razão alguma em ocultar esse fato, posando de defensor da liberdade.

Finalmente, vale recordar: em nome da "revolução proletária" e da "implantação do socialismo", grupos como a VAR-Palmares praticaram atos terroristas, como assassinatos, atentados à bomba, seqüestros e  assaltos, com dezenas de vítimas fatais (o primeiro marido de Dilma, Cláudio Galeno, chegou mesmo a seqüestrar um avião comercial, desviado para Havana). Derrotados pelas forças da repressão política, os remanescentes da luta armada passaram a se apresentar, desde então, como democratas. E instituíram uma "comissão da verdade" revanchista que pretende, ao arrepio da Lei da Anistia,  julgar e condenar os que os perseguiram. Com o aval da presidente da República. A mesma que afirmou, no discurso de posse, não ter qualquer arrependimento, assim como ressentimento ou rancor.

Desde que foi escolhida por Luiz Inácio Lula da Silva para ser sua sucessora, Dilma Rousseff, a ex-Estela da VAR-Palmares, passou por uma verdadeira transformação estética. Pelo visto, não foi só sua aparência física que sofreu uma mudança radical: também seu passado político é constantemente retocado por generosas doses dephotoshop. Infelizmente para ela, os grupos da luta armada deixaram documentos.

Das duas uma: ou a VAR-Palmares não era uma organização revolucionária marxista-leninista que lutava para instaurar uma ditadura comunista no Brasil, e nesse caso a Dilma Rousseff de 1969 estava participando de uma farsa, ou era, e nesse caso a Dilma de 2011 estava querendo enganar a platéia posando de heroína da luta pelas liberdades democráticas. Em qualquer situação, estamos diante de uma descarada falsificação histórica.   

Os aduladores da atual presidente gostam de dizer que ela se comportou bravamente na tortura, e que mentiu para seus interrogadores. Ela mesma faz questão de repetir essa versão quando lhe é conveniente. Ao que parece, ela interiorizou essa tática. Esta se tornou mesmo sua segunda natureza. Quando se trata de Dilma Vana Rousseff, o que ela diz e a verdade quase nunca estão no mesmo lugar.
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Como dizia o velho Paulo Francis: "Quer ver um comunista se desmoralizar? É só deixá-lo falar". (Ou lembrar o que disseram, eu acrescentaria.) 

Ayn Rand - Feminismo (legendado)

Intolerância ateísta, defenda-se

sábado, 10 de março de 2012

quinta-feira, 8 de março de 2012

O Candango Conservador: Mensagem de Bolsonaro no dias das mulheres

O Candango Conservador: Mensagem de Bolsonaro no dias das mulheres: Assistam esse magnífico discurso:

Brasil não tem Igreja Católica. Tem uma Igreja Apostática

http://edubisotto.blogspot.com/2012/03/brasil-nao-tem-igreja-catolica-tem-uma.html


Segundo a gloriosa Wikipedia, "Apostasia (em grego antigo απόστασις [apóstasis], "estar longe de") não se refere a um mero desvio ou um afastamento em relação à sua fé e à prática religiosa. Tem o sentido de um afastamento definitivo e deliberado de alguma coisa, uma renúncia de sua anterior fé ou doutrinação. Pode manifestar-se abertamente ou de modo oculto".

Só não enxerga quem não quer. A Igreja Católica brasileira está em apostasia aberta há pelo menos duas décadas, desde que se rendeu gostosamente nos braços da herética Teologia da Libertação, condenada por Bento XVI quando ele era ainda o Cardeal Joseph Ratzinger em não poucas ocasiões, em postura apoiada por completo pelo então Papa João Paulo II. Bueno, pergunto retoricamente, já que certamente ninguém da Sé vai ler ou dar bola para o que escrevo aqui: se este lixo teológico chamado Teologia da Libertação é herético, por que se permite que no maior país católico do mundo ele governe a Igreja de ponta a ponta?

É claro que ao aderir a uma heresia a Igreja abriu o caminho para a aceitação de várias outras. E assim foi. O preço logo se viu: Igrejas cada vez mais vazias, fiés cada vez mais desgostosos, "Campanhas da Fraternidade" cada vez mais politizadas e pautadas pelo petismo e pelo esquerdismo politicamente correto chique, a la Marina Silva e tudo isso seguido de Igrejas ainda mais vazias.

O fato de a guinada esquerdista apostática da Igreja no Brasil estar representando o definhamento da Santa Madre em nosso país não parece importar muito ao Vaticano. Óbvio que aos mentores do processo, muitos deles "teólogos" (sic) da Libertação convertidos em bispo, tudo parecia fazer muito sucesso. Ou vocês acham pouco um movimento claramente anti-cristão como o esquerdismo tomar a principal e mais sólida e tradicional instituição cristã do mundo justo em um de seus maiores rebanhos?

Escrevi tudo isso motivado pela notícia absurdamente chocante postada no site "Gospel Mais". Quando vi o título pensei: "Só pode ser sacanagem dos protestantes. A CNBB jamais iria tão longe". E o título dizia: "Igreja Católica firma acordo com Marta Suply e apóia a PLC 122". Li a notícia. E fui lendo-a até o fim, cada vez mais estarrecido. No último parágrafo, o que eu quase cheguei a pensar que seria um alento: a CNBB negava o acordo. Agora vejam como a nota oficial da CNBB nega o acordo: "reiterou, ainda, a posição da Igreja de combater todo tipo de discriminação e manifestou, por fim, sua fraterna e permanente disposição para o diálogo e colaboração em tudo o que diz respeito ao bem da pessoa humana".

Qualquer ser humano razoalvemente alfabetizado e dotado de um mínimo de senso político entende o recado. O que os gayzistas afirmam que o PLC 122 visa? Não é justamente "combater todo tipo de discriminação"? E a "permanente disposição para o diálogo e colaboração em tudo que diz respeito ao bem da pessoa humana"? Não é justamente o discurso do movimento gayzista, levemente alterado para a linguagem católica, ao jurarem que o PLC 122 visa só o "bem da pessoa humana" gay?

Está claríssimo: a Igreja, objetiva e claramente aliou-se a gente que todo ano vai pra avenida Paulista ridicularizar símbolos sacros, imagens de santos e mesmo a própria liderança episcopal, sobretudo o Papa Bento XVI. Enquanto na Europa o Papa e a Sé buscam a reconciliação com o movimento tradicionalista e a volta as bases  da Igreja pré-Concílio Vaticano II, no Brasil deixam a bugrada cometer mais um crime claríssimo de lesa fé. De apostasia.

Até quando a Sé e o Vaticano vão calar? Até quando permitirão que seminários sigam formando não padres, mas agentes da revolução gramsciana? Até quando permitirão que padres com vastos serviços prestados ao esquerdismo pátrio, notório inimigo eterno da Santa Madre, sejam elevados ao bispado?


Desculpem-me a dureza, mas fato é fato e lógica é lógica: ao insistir nesta posição de silêncio e inação, o Vaticano, com o Papa a frente, está tornando-se cúmplice da apostasia na Igreja do Brasil.

Sem mais

Para ler a notícia completa no portal Gospel Mais, clique aqu => Igreja Católica firma acordo com Marta Suply e apóia a PLC 122

2011: A Brave New Dystopia

http://mujahdincucaracha.blogspot.com/2012/03/2011-brave-new-dystopia.html


As duas grandiosas visões sobre uma futura distopia foram as de George Orwell em 1984 e de Aldous Huxley em Brave New World. O debate entre aqueles que assistiram nossa decadência em direção ao totalitarismo corporativo era sobre quem, afinal, estava certo. Seria, como Orwell escreveu, dominado pela vigilância repressiva e pelo estado de segurança que usaria formas cruas e violentas de controle? Ou seria, como Huxley anteviu, um futuro em que abraçaríamos nossa opressão embalados pelo entretenimento e pelo espetáculo, cativados pela tecnologia e seduzidos pelo consumismo desenfreado? No fim, Orwell e Huxley estavam ambos certos. Huxley viu o primeiro estágio de nossa escravidão. Orwell anteviu o segundo. 
Temos sido gradualmente desempoderados por um estado corporativo que, como Huxley anteviu, nos seduziu e manipulou através da gratificação dos sentidos, dos bens de produção em massa, do crédito sem limite, do teatro político e do divertimento. Enquanto estávamos entretidos, as leis que uma vez mantiveram o poder corporativo predatório em cheque foram desmanteladas, as que um dia nos protegeram foram reescritas e nós fomos empobrecidos.  Agora que o crédito está acabando, os bons empregos para a classe trabalhadora se foram para sempre e os bens produzidos em massa se tornaram inacessíveis, nos sentimos transportados do Brave New World para 1984. O estado, atulhado em déficits maciços, em guerras sem fim e em golpes corporativos, caminha em direção à falência. É hora do Big Brother assumir as previsões de Huxley. Passamos de uma sociedade onde somos habilmente manipulados por mentiras e ilusões a uma onde nós somos controlados abertamente.
Orwell nos alertou sobre um mundo em que os livros eram banidos. Huxley nos alertou sobre um mundo em que ninguém queria ler livros. Orwell nos alertou sobre um estado de guerra e medo permanentes. Huxley nos alertou sobre uma cultura de prazeres do corpo. Orwell nos alertou sobre um estado em que toda conversa e pensamento eram monitorados e no qual a dissidência era punida brutalmente. Huxley nos alertou sobre um estado no qual a população, preocupada com trivialidades e fofocas, não se importava mais com a verdade e a informação. Orwell nos viu amedrontados até a submissão.  Mas Huxley, estamos descobrindo, era meramente o prelúdio de Orwell. Huxley entendeu o processo pelo qual seríamos cúmplices de nossa própria escravidão. Orwell entendeu a escravidão. Agora que o golpe corporativo foi dado, estamos nus e indefesos. Estamos começando a entender, como Karl Marx sabia, que o capitalismo sem limites e desregulamentado é uma força bruta e revolucionária que explora os seres humanos e o mundo natural até a exaustão e o colapso. 
O partido busca todo o poder pelo poder”, Orwell escreveu em  1984. “Não estamos interessados no bem dos outros; estamos interessados somente no poder. Não queremos riqueza ou luxo, vida longa ou felicidade; apenas poder, poder puro. O que poder puro significa você ainda vai entender. Nós somos diferentes das oligarquias do passado, já que sabemos o que estamos fazendo. Todos os outros, mesmo os que se pareciam conosco, eram covardes e hipócritas. Os nazistas alemães e os comunistas russos chegaram perto pelos seus métodos, mas eles nunca tiveram a coragem de reconhecer seus próprios motivos. Eles fizeram de conta, ou talvez tenham acreditado, que tomaram o poder sem querer e por um tempo limitado, e que logo adiante havia um paraíso em que os seres humanos seriam livres e iguais. Não somos assim. Sabemos que ninguém toma o poder com a intenção de entregá-lo. Poder não é um meio; é um fim. Ninguém promove uma ditadura com o objetivo de assegurar a revolução; se faz a revolução para assegurar a ditadura. O objeto da perseguição é perseguir. O objeto de torturar é a tortura. O objeto do poder é o poder”. 
O filósofo político Sheldon Wolin usa o termo “totalitarismo invertido” no livro “Democracia Ltda.” para descrever nosso sistema político. É um termo que não faria sentido para Huxley. No totalitarismo invertido, as sofisticadas tecnologias de controle corporativo, intimidação e manipulação de massas, que superam em muito as empregadas por estados totalitários prévios, são eficazmente mascaradas pelo brilho, barulho e abundância da sociedade de consumo.  Participação política e liberdades civis são gradualmente solapadas. O estado corporativo, escondido sob a fumaça da indústria de relações públicas, da indústria do entretenimento e do materialismo da sociedade de consumo, nos devora de dentro para fora. Não deve nada a nós ou à Nação. Faz a festa em nossa carcaça. 
O estado corporativo não encontra a sua expressão em um líder demagogo ou carismático. É definido pelo anonimato e pela ausência de rosto de uma corporação. As corporações, que contratam porta-vozes atraentes como Barack Obama, controlam o uso da ciência, da tecnologia, da educação e dos meios de comunicação de massa. Elas controlam as mensagens do cinema e da televisão. E, como no Brave New World, elas usam as ferramentas da comunicação para aumentar a tirania. Nosso sistema de comunicação de massas, como Wolin escreveu, “bloqueia, elimina o que quer que proponha qualificação, ambiguidade ou diálogo, qualquer coisa que enfraqueça ou complique a força holística de sua criação, a sua completa capacidade de influenciar”. 
O resultado é um sistema monocromático de informação. Cortejadores das celebridades, mascarados de jornalistas, experts e especialistas, identificam nossos problemas e pacientemente explicam seus parâmetros. Todos os que argumentam fora dos parâmetros são desprezados como chatos irrelevantes, extremistas ou membros da extrema esquerda. Críticos sociais prescientes, como Ralph Nader e Noam Chomsky, são banidos. Opiniões aceitáveis cabem, mas apenas de A a B. A cultura, sob a tutela dos cortesãos corporativos, se torna, como Huxley notou, um mundo de conformismo festivo, de otimismo sem fim e fatal.
Nós nos ocupamos comprando produtos que prometem mudar nossas vidas, tornar-nos mais bonitos, confiantes e bem sucedidos — enquanto perdemos direitos, dinheiro e influência. Todas as mensagens que recebemos pelos meios de comunicação, seja no noticiário noturno ou nos programas como “Oprah”, nos prometem um amanhã mais feliz e brilhante. E isso, como Wolin apontou, é “a mesma ideologia que convida os executivos de corporações a exagerar lucros e esconder prejuízos, sempre com um rosto feliz”. Estamos hipnotizados, Wolin escreve, “pelo contínuo avanço tecnológico” que encoraja “fantasias elaboradas de poder individual, juventude eterna, beleza através de cirurgia, ações medidas em nanosegundos: uma cultura dos sonhos, de cada vez maior controle e possibilidade, cujos integrantes estão sujeitos à fantasia porque a grande maioria tem imaginação, mas pouco conhecimento científico”. 
Nossa base manufatureira foi desmantelada. Especuladores e golpistas atacaram o Tesouro dos Estados Unidos e roubaram bilhões de pequenos acionistas que tinham poupado para a aposentadoria ou estudo. As liberdades civis, inclusive o habeas corpus e a proteção contra a escuta telefônica sem mandado, foram enfraquecidas. Serviços básicos, inclusive de educação pública e saúde, foram entregues a corporações para explorar em busca do lucro. As poucas vozes dissidentes, que se recusam a se engajar no papo feliz das corporações, são desprezadas como fanáticos. 
Atitude e temperamento são habilmente manipulados pelo Estado corporativo, como caracterizou Huxley no "Brave New World". O protagonista do livro, Bernard Marx, se transforma em frustração para sua namorada Lenina:
- "Você não quer ser livre, Lenina?", pergunta ele.
- "Eu não sei que você quer dizer. Eu sou livre, livre para ter o tempo mais maravilhoso. Todo mundo é feliz hoje em dia."
Ele riu, "Sim, ' toda a gente é feliz hoje em dia. Nós temos sido tratados como crianças de cinco anos. Mas você não gostaria de ser livre para ser feliz de outra forma, Lenina? Do seu próprio modo, por exemplo; não da forma de todos os outros."
- "Eu não sei o que quer dizer", ela repetiu.
A fachada está desabando. Quanto mais gente se der conta de que fomos usados e roubados, mais rapidamente nos moveremos do Brave New World de Huxley para o 1984 de Orwell. O público, a certa altura, terá de enfrentar algumas verdades doloridas. Os empregos com bons salários não vão voltar. Os maiores déficits da história humana significam que estamos presos num sistema escravocrata de dívida que será usado pelo estado corporativo para erradicar os últimos vestígios de proteção social dos cidadãos, inclusive a Previdência Social. O estado passou de uma democracia capitalista para o neo-feudalismo. E quando essas verdades se tornarem aparentes, a raiva vai substituir o conformismo feliz imposto pelas corporações. O vazio de nossos bolsões pós-industriais, onde 40 milhões de norte-americanos vivem em estado de pobreza e dezenas de milhões na categoria chamada “perto da pobreza”, junto com a falta de crédito para salvar as famílias do despejo, das hipotecas e da falência por causa dos gastos médicos, significam que o totalitarismo invertido não vai mais funcionar. 
Nós crescentemente vivemos na Oceania de Orwell, não mais no Estado Mundial de Huxley. Osama bin Laden fêz o papel de Emmanuel Goldstein em 1984. Goldstein, na novela, é a face pública do terror. Suas maquinações diabólicas e seus atos de violência clandestina dominam o noticiário noturno. A imagem de Goldstein aparece diariamente nas telas de TV da Oceania como parte do ritual diário da nação, os “Dois Minutos de Ódio”. E, sem a intervenção do estado, Goldstein, assim como bin Laden, vai te matar. Todos os excessos são justificáveis na luta titânica contra o diabo personificado. 
A tortura psicológica do cabo Bradley Manning — que está preso há sete meses sem condenação por qualquer crime — espelha o dissidente Winston Smith de 1984. Manning é um “detido de segurança máxima” na cadeia da base dos Fuzileiros Navais de Quantico, na Virginia. Eles passa 23 das 24 horas do dia sozinho. Não pode se exercitar. Não pode usar travesseiro ou roupa de cama. Médicos do Exército enchem Manning de antidepressivos. As formas cruas de tortura da Gestapo foram substituídas pelas técnicas refinadas de Orwell, desenvolvidas por psicólogos do governo, para transformar dissidentes como Manning em vegetais. Quebramos almas e corpos. É mais eficaz. Agora todos podemos ir ao temido quarto 101 de Orwell para nos tornarmos obedientes e mansos.  Essas “medidas administrativas especiais” são regularmente impostas em nossos dissidentes, inclusive em Syed Fahad Hasmi, que ficou preso sob condições similares durante três anos antes do julgamento. As técnicas feriram psicologicamente milhares de detidos em nossas cadeias secretas em todo o mundo. Elas são o exemplo da forma de controle em nossas prisões de segurança máxima, onde o estado corporativo promove a guerra contra nossa sub-classe política – os afro-americanos. É o presságio da mudança de Huxley para Orwell. 
Nunca mais você será capaz de ter um sentimento humano”, o torturador de Winston Smith diz a ele em  1984. ”Tudo estará morto dentro de você. Nunca mais você será capaz de amar, de ter amigos, do prazer de viver, do riso, da curiosidade, da coragem ou integridade. Você será raso. Vamos te apertar até esvaziá-lo e vamos encher você de nós”. 
O laço está apertando. A era do divertimento está sendo substituída pela era da repressão. Dezenas de milhões de cidadãos tiveram seus dados de e-mail e de telefone entregues ao governo. Somos a cidadania mais monitorada e espionada da história humana. Muitos de nós temos nossa rotina diária registrada por câmeras de segurança. Nossos hábitos ficam gravados na internet. Nossas fichas são geradas eletronicamente. Nossos corpos são revistados em aeroportos e filmados por scanners. Anúncios públicos, selos de inspeção e posters no transporte público constantemente pedem que relatemos atividade suspeita. O inimigo está em toda parte. 
Aqueles que não cumprem com os ditames da guerra contra o terror, uma guerra que, como Orwell notou, não tem fim, são silenciados brutalmente. Medidas draconianas de segurança foram usadas contra protestos no G-20 em Pittsburgh e Toronto de forma desproporcional às manifestações de rua. Mas elas mandaram uma mensagem clara — NÃO TENTE PROTESTAR. A investigação do FBI contra ativistas palestinos e que se opõem à guerra, que em setembro resultou em buscas em casas de Minneapolis e Chicago, é uma demonstração do que espera aqueles que desafiam o Newspeak oficial. Os agentes — ou a Polícia do Pensamento — apreenderam telefones, computadores, documentos e outros bens pessoais. Intimações para aparecer no tribunal já foram enviadas a 26 pessoas. As intimações citam leis federais que proíbem “dar apoio material ou recursos para organizações terroristas estrangeiras”. O Terror, mesmo para aqueles que não tem nada a ver com terror, se torna o instrumento usado pelo Big Brother para nos proteger de nós mesmos. 
Você está começando a entender o mundo que estamos criando?”, Orwell escreveu. “É exatamente o oposto daquelas Utopias estúpidas que os velhos reformistas imaginaram. Um mundo de medo, traição e tormento, um mundo em que se atropela e se é atropelado, um mundo que, ao se sofisticar, vai se tornar cada vez mais cruel”.
Chris Hedges é Editorialista.
 Publicado em TruthDig.com em 27 de dezembro de 2010.
Fonte:  Alerta Total